Desmemória

Desmemória

Certa vez me perguntaram

da poesia qual era o seu

mais bruto material,

e com olhos vazios creio

que, obliquamente, me calei.

Só num dia de

semáforos intermináveis,

com um substantivo desejo

de criar a minha própria

pequena guerra mundial,

me dei conta de que a poesia

é feita do que se esquece.

Ou, como queira, do líquen

que recobre a invisível

pedra submersa no

açude da gente.

Alexandre Ladeira

Sociólogo e professor por profissão, o autor desse blog sente pela literatura algo inescapável. Leitor apaixonado, escreve desde a infância sempre às sombras das gavetas ou apenas aos olhos das pessoas mais íntimas. Com o Veia, o pai do pequeno Pablo espera ir além, na esperança de que seu texto alcance um público mais amplo. Sem qualquer pretensão, almeja conciliar a sua necessidade pela escrita com a possibilidade de tocar outros corações e mentes igualmente apaixonados pelo universo literário e pelos múltiplos sentidos dessa forma de expressão.