Erato

Erato

Suas costas europeias

te faltam asas

e penas onde eu possa

diariamente contar poemas

e é quase o espaço

entre as suas costelas

o ar que me prende

me falta e me encerra.

Seu ombro comigo

pode ser leito

pras minhas narinas e mesmo

pra aves eventuais

e sua boca quando assim

carmesim, só me faz te pensar

em nudez e mais nada.

Assim, venhas e fique aqui.

Não te leves pro frio

pro rio ou pra terras boreais.

Lembre-se que o trópico

com tudo o que nele

há de tópico

de trágico e tóxico

ainda é na bússola o ponto

que aponta o teu berço.

Ainda é o termo que

triste, define tua fé

celebra o teu culto

e lhe reza o terço.

Assim, fique e rezes aqui.

Deixe que te criem asas

e aproxime-se de mim

suas costelas.

Carnavalize-se e espere

que lhe venham penas

essas onde eu possa

sentindo apenas o vergar das costas

diariamente contar poemas.

Alexandre Ladeira

Sociólogo e professor por profissão, o autor desse blog sente pela literatura algo inescapável. Leitor apaixonado, escreve desde a infância sempre às sombras das gavetas ou apenas aos olhos das pessoas mais íntimas. Com o Veia, o pai do pequeno Pablo espera ir além, na esperança de que seu texto alcance um público mais amplo. Sem qualquer pretensão, almeja conciliar a sua necessidade pela escrita com a possibilidade de tocar outros corações e mentes igualmente apaixonados pelo universo literário e pelos múltiplos sentidos dessa forma de expressão.

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