Antônio Cândido - Morre Antônio Cândido: a cena literária chora

Morre Antônio Cândido: a cena literária chora

O crítico literário e sociólogo Antônio Cândido, um dos principais estudiosos da cultura literária nacional, faleceu hoje, 12 de maio, em São Paulo. Autor, dentre outros, de Formação da Literatura Brasileira, esse intelectual deixa um grande legado para a compreensão da nossa identidade cultural.

Nascido no Rio de Janeiro em 1918, Cândido passou parte de sua infância em Minas Gerais, antes de fixar-se definitivamente em São Paulo. Formado em Filosofia pela USP, exerceu a função de crítico literário em veículos diversos, tais como a Revista Clima e os jornais Folha da Manhã e O Diário de São Paulo, tendo sido, a título de exemplo, o primeiro a resenhar uma obra de João Cabral de Melo Neto.

Doutor em Sociologia, Antônio Cândido trabalhou na UNESP e na USP como professor das disciplinas Literatura Brasileira, Teoria Literária e Literatura Comparada, figurando entre seus alunos o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os críticos Roberto Schwarz e Davi Arrigucci Júnior, nomes de peso na vida política e cultural do país.

Em 1956, fundou o Suplemento Literário d’O Estado de São Paulo, considerado ainda hoje um dos principais marcos do jornalismo cultural brasileiro, um bem sucedido caderno que haveria de circular até o final de 1974. Ao longo desses anos, atuou ainda como professor visitante nas Universidades de Paris e de Yale.

Quatro vezes vencedor do Prêmio Jabuti pela importância de sua obra, Cândido foi o primeiro brasileiro agraciado com o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, outorgado pelo Conselho Mexicano para a Cultura e as Artes àqueles que se destacam por suas contribuições ao desenvolvimento da literatura. Entre os ganhadores dessa honraria, destacam-se os escritores Jorge Luís Borges, Adolfo Bioy Casares e Mário Vargas Llosa, além dos críticos George Steiner e Harold Bloom. Além disso, recebeu ainda o Prêmio Camões em 1998, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal a quem se destaca por suas contribuições ao patrimônio cultural da língua portuguesa.

Na esfera política, Antônio Cândido militou no Partido Socialista Brasileiro e fez oposição ao governo Getúlio Vargas, editando um jornal clandestino chamado Resistência. Posteriormente, participou do processo de fundação do Partido dos Trabalhadores, ao qual permaneceu filiado até à sua morte.

Na vida pessoal, foi casado com a filósofa e também professora da USP Gilda de Mello e Souza (1919-2005), com quem teve três filhas. Cândido faleceu em decorrência de uma hérnia de hiato inoperável.

De caráter reservado e pouco afeito a aparições públicas, seu corpo será cremado no sábado, dia 13 de maio, em cerimônia reservada à família. E a pedido do próprio Cândido, suas cinzas serão misturadas às de sua esposa, a quem ele sempre se referiu como o grande amor de sua vida.

Alexandre Ladeira

Sociólogo e professor por profissão, o autor desse blog sente pela literatura algo inescapável. Leitor apaixonado, escreve desde a infância sempre às sombras das gavetas ou apenas aos olhos das pessoas mais íntimas. Com o Veia, o pai do pequeno Pablo espera ir além, na esperança de que seu texto alcance um público mais amplo. Sem qualquer pretensão, almeja conciliar a sua necessidade pela escrita com a possibilidade de tocar outros corações e mentes igualmente apaixonados pelo universo literário e pelos múltiplos sentidos dessa forma de expressão.