Ocaso - Ocaso

Ocaso

Eu quis te sentir à mão,

Os rastros de sangue

Sob a neve cálida

E as folhas soterradas

Em sua tez e extensão.

Quis ouvir sua veia

Prestes a expirar,

O peito trêmulo e a

Presença extrema

Curvados pela súbita e

Imponderável tensão.

Obstante, tive apenas

O comedimento morto,

Um subpeso ideal aos

Ventos que assolavam

As últimas cinzas do sol.

Quando outra vez

Lhe aspirei,

Apenas senti o lapso

Daqueles que por ora,

Ensimesmados, decerto

Nunca mais voarão.

Alexandre Ladeira

Sociólogo e professor por profissão, o autor desse blog sente pela literatura algo inescapável. Leitor apaixonado, escreve desde a infância sempre às sombras das gavetas ou apenas aos olhos das pessoas mais íntimas. Com o Veia, o pai do pequeno Pablo espera ir além, na esperança de que seu texto alcance um público mais amplo. Sem qualquer pretensão, almeja conciliar a sua necessidade pela escrita com a possibilidade de tocar outros corações e mentes igualmente apaixonados pelo universo literário e pelos múltiplos sentidos dessa forma de expressão.