Raymond Carver

Raymond Carver

Embora Raymond Carver tenha sido um dos mais originais escritores norte-americanos do século XX, sua obra ainda permanece relativamente desconhecida no Brasil, sobretudo junto ao grande público. Contista e poeta preciso, sua produção literária se destaca pela objetividade e por sua forma contida, algo que não significa, de modo algum, despida de intensidade. De qualquer forma, o laconismo e o tom seco de seus textos levaram-no a ser associado ao movimento minimalista, embora ele mesmo talvez discordasse disso.

Influenciado por autores do quilate de Hemingway, Faulkner e Tchekhov, Carver demorou a alcançar o sucesso literário e teve momentos de profunda dificuldade em sua vida. Entre 1958 e 1967, para sobreviver e sustentar sua família (esposa e filhos), precisou trabalhar de frentista, zelador e faxineiro, e só aos 26 anos conseguiu se formar em estudos literários. Depois disso, no final dos anos sessenta, gradativamente começou a publicar seus textos em diversas revistas, e passou também a trabalhar como professor de redação criativa na Universidade de Berkeley.

Quando as coisas pareciam se encaminhar, no início dos anos setenta, Raymond Carver passou a ter graves problemas com a bebida, um vício do qual só se libertaria alguns anos depois, mais precisamente em 1977. Nesse meio tempo ele se separou da mulher e dos filhos e foi viver sozinho na Califórnia, além de ter publicado, em 1976, o livro que mudaria o rumo de sua vida, intitulado Você poderia ficar quieta, por favor?

Depois disso Carver foi conquistando cada vez mais leitores e também o reconhecimento da crítica, e conheceu a poetisa Tess Gallagher, que haveria de ser sua companheira até o final da vida. O autor morreu no dia 2 de agosto de 1988, aos cinquenta anos de idade, em decorrência de um câncer que lhe atingiu os pulmões e o cérebro, poucos meses depois de ser empossado como membro da American Academy and Institute of Arts and Letters, algo que o colocou para sempre entre os maiores expoentes da literatura norte-americana.

No Brasil, a melhor reunião de escritos desse autor está no livro 68 Contos de Raymond Carver, publicado pela editora Companhia das Letras em 2010. Esse volume reúne, para além dos contos de Você poderia ficar quieta, por favor?, outros dois livros fundamentais de Carver, quais sejam, Do que estamos falando quando falamos de amor e Catedral, ambos publicados pela primeira vez em 1981.

Alexandre Ladeira

Sociólogo e professor por profissão, o autor desse blog sente pela literatura algo inescapável. Leitor apaixonado, escreve desde a infância sempre às sombras das gavetas ou apenas aos olhos das pessoas mais íntimas. Com o Veia, o pai do pequeno Pablo espera ir além, na esperança de que seu texto alcance um público mais amplo. Sem qualquer pretensão, almeja conciliar a sua necessidade pela escrita com a possibilidade de tocar outros corações e mentes igualmente apaixonados pelo universo literário e pelos múltiplos sentidos dessa forma de expressão.